Os habitats marinhos rochosos de baixa profundidade das regiões temperadas são frequentemente dominados por algas castanhas gigantes vulgarmente denominadas por kelp. A elevada produtividade e complexidade biológica e estrutural que caracteriza as algas kelp, tornam-nas muito importantes nas comunidade marinhas, particularmente quando presentes em elevadas densidades – formando as florestas marinhas de kelp.
Estas florestas marinhas, altamente produtivas, servem de zonas de protecção, reprodução e alimentação de grande diversidade de espécies animais, sendo essenciais para a sustentabilidade dos ecossistemas. As algas que constituem estas florestas são importantes produtores primários e desempenham um papel activo na minimização do fenómeno do aquecimento global, uma vez que fixam carbono, reduzindo a quantidade de CO2 atmosférico.
As florestas de kelp, juntamente com os recifes de coral e as pradarias de plantas marinhas, são habitats que constituem um bem social e económico muito importante. Deles dependem centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, donde se estimam níveis de serviços do ecossistema na ordem dos triliões de dólares anuais para a economia global.
O projeto Findkelp é uma iniciativa do Centro de Ciências do Mar, da Universidade do Algarve, em parceira com a empresa Gobius Comunicação e Ciência, que se iniciou em março de 2008. É um projeto que recorre à integração de diversas técnicas e ferramentas científicas, com o objetivo de conhecer o estado das florestas marinhas de Portugal, bem como divulgar a sua importância junto das comunidades costeiras, utilizando o binómio conhecer para proteger.
Até à data, foram conduzidos trabalhos que recorreram a ferramentas de participação comunitária e a metodologias de validação estatística. Através de sessões públicas e de oficinas de capacitação, formaram-se cerca de 200 voluntários mergulhadores que aportaram resultados inéditos e extremamente úteis sobre a distribuição atual de 6 espécies de kelp dos 0 aos 42 m de profundidade, em todo o território de Portugal continental, incluindo os montes submarinos Gorringe e Montanha de Camões.
Para além dos dados de distribuição, foram obtidos dados muito concretos sobre os habitats que são utilizados por cada uma das espécies de algas kelp. Esta informação é crucial para a sua proteção, por permitir informar os intervenientes sobre as áreas mais importantes para a continuidade de cada uma das espécies. Com a informação recolhida sobre as florestas marinhas de Portugal iniciaram-se vários trabalhos para melhor compreender a biologia destas espécies e as suas relações de dependência com espécies de valor comercial.

A Equipa do projeto
Coordenação executiva: Jorge M. F. Assis;
Coordenação científica: Prof. Dra. Ester Serrão, Dr. Filipe Alberto, Dra. Alexandra Cunha;
Equipa técnica: Liliana Paulos, Bruno Claro, Nelson Coelho;
O mapa de distribuição das florestas marinhas de Portugal foi elaborado por investigadores, com base na partilha de conhecimento.
